A importância das boas práticas agrícolas na lavoura após a colheita
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Coordenador de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé

A importância das boas práticas agrícolas na lavoura durante e após a colheita

Qualidade e sucesso das safras futuras dependem de boas práticas no manejo

A representatividade do café no mercado do agronegócio brasileiro é indiscutível. Mas, para ter uma boa produtividade e com boa qualidade nas próximas safras é preciso iniciar as práticas de manejo logo após a colheita da safra atual. Ou seja, o resultado das próximas duas safras dependem de ações implementadas agora, logo após a colheita que está acontecendo.

De antemão, um dos pontos essenciais é o controle de pragas. A broca-do-café (Hypothenemus hampei), por exemplo, causa sérios problemas à cultura. Que vão da queda no rendimento à perda das características, resultando em um valor final mais baixo para o produto.

O seu controle é difícil. Isso porque a broca-do-café passa grande parte do ciclo no interior dos frutos. E somente quando as fêmeas começam a perfurar os frutos da nova safra que é possível perceber a infestação. Por isso, os cuidados e o controle da praga são fundamentais para minimizar os danos. Seja via controle biológico, cultural ou químico.

Impactos

Os impactos causados pela broca ocorrem de diferentes formas. Um deles, sobretudo, é em relação ao aspecto físico. Pois, os frutos perfurados são considerados como “defeito” e resultam no aumento da catação do café. Além disso, podem favorecer a entrada de fungos que prejudicam a qualidade da bebida, perdendo valor de mercado. Outro dano é em relação ao menor peso do fruto, causando perda de produtividade da lavoura.

Para evitar o ataque da broca, o produtor tem diversas alternativas de manejo disponíveis. E a forma mais eficaz é a integração de diferentes métodos.

Uma das principais formas de manejo da broca é a colheita e varrição bem feitas. Evitando, pois, que os frutos de café fiquem na planta ou no chão. Estes frutos com broca servirão de alimento e abrigo para a broca que vai atacar na próxima safra. Por isso, eliminar estes frutos da lavoura é tão importante para, pois, reduzir a pressão da praga na próxima safra. Além de reduzir a necessidade do uso de defensivos e de dinheiro com a compra do produto e com mão de obra e combustível para a pulverização.

Os outros métodos, também, importantes para o manejo da praga são as armadilhas para atraí-la. Bem como a aplicação de inseticidas tanto químicos quanto biológicos disponíveis no mercado. Estas medidas devem ser implementadas principalmente nos talhões que tiveram maior quantidade de broca na colheita atual.

Cuidados no manejo dos cafezais após a colheita

Um outro cuidado importante com a lavoura neste momento é em relação aos ferimentos causados pela colheita. Seja pela colheita manual ou com utilização de máquinas. É inevitável que ocorram ferimentos na planta. Tais ferimentos podem se tornar porta de entrada para fungos que causam doenças. Por isso, logo após a colheita de cada talhão, é importante realizar a pulverização da lavoura. O objetivo é promover a cicatrização dos ferimentos prevenindo, assim, a entrada de doenças. Esta pulverização é feita com fungicidas a base de Cobre.

Antes de iniciar qualquer aplicação foliar é necessária, também, uma avaliação prévia feita por um técnico capacitado. Este analisará possíveis infestações de pragas, deficiências nutricionais e, por fim, qual o produto ideal para a situação em questão. Obtendo, dessa forma, resultados satisfatórios para uma cafeicultura sustentável.

O uso de EPI e a ajuda especializada são essenciais. Nesse caso, o cooperado deve procurar o departamento técnico da Cooxupé.

Chegar Cisco

Logo após a colheita e varrição das lavouras, é importante que seja feito retorno do material orgânico que ficou no meio da rua do café para próximo das plantas. Esta operação é conhecida como “chegar cisco”. O material deixado após a varrição é muito rico em nutrientes e em matéria orgânica. Então, o retorno deste material para as plantas contribuirá para melhor nutrição da lavoura e para a redução de custos.

Em seguida, deve-se fazer a correção do solo com base no resultado da análise. Tal correção é feita com calcário que, além de fornecer Cálcio e Magnésio para as plantas, corrige o pH do solo. Bem como torna os demais nutrientes mais disponíveis, aumentando a eficiência dos fertilizantes que serão aplicados.

Ainda durante o período seco, o produtor deve aproveitar para aplicar o gesso que serve para fornecer Enxofre. Bem como aprimorar as condições das camadas mais profundas do solo, melhorando a resistência das plantas aos períodos de falta de água. Pode ocorrer a aplicação também dos fertilizantes fosfatados e as fontes de Boro, todos com base nas análises de solo. Estes insumos podem ser aplicados no período seco para otimizar a mão de obra da propriedade.

A aplicação da palha de café ou de outros materiais orgânicos como esterco, cama de frango ou compostos orgânicos também deve ocorrer antes do início das chuvas. Devido, pois, à maior facilidade operacional.

Florada dos cafeeiros

Alguns dias depois do início das chuvas, vem a florada. E, para obter um bom pegamento, é importante que as plantas estejam com um bom enfolhamento. Para isto, o manejo de pragas e doenças deve estar em dia, pois estas causam desfolha e prejudicam diretamente o pegamento da florada.

Além de provocar desfolha, alguns fungos causam doenças, também, nos chumbinhos. Por isto, é importante fazer as pulverizações pré e pós-florada em duas etapas, sendo: a primeira pulverização na pré-florada – antes da abertura das flores, e a segunda – após a queda das pétalas secas, visando atingir o chumbinho.

Em síntese, o objetivo destas ações é proteger a florada de doenças, sendo a principal, a mancha de Phoma. Esta praga ataca as folhas, ramos e os botões (mumificação dos chumbinhos) causando a perda ou ausência de chumbinho por roseta. O que leva, assim, a grandes prejuízos.

Lembre-se

É necessário que um técnico capacitado avalie a lavoura previamente. Isso, pois, para verificar o nível de danos das pragas, doenças e deficiências nutricionais. Dessa forma, faz-se o uso correto dos produtos, com o máximo de eficiência e segurança. Para, assim, levar a lavoura a obter resultados satisfatórios. E para uma cafeicultura sustentável, com boa produtividade e produzindo um grão de qualidade.