Como combater a Cercosporiose nos cafezais?
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Como combater a Cercosporiose nos cafezais?

Atingindo as lavouras de café, a doença causa desfolha e queda prematura dos frutos

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A cercosporiose do cafeeiro – conhecida também como mancha de olho pardo, mancha circular, mancha parda ou olho de pombo – é uma doença que atinge as lavouras de café, causando desfolha das plantas e queda prematura dos frutos. Quando não tratada, leva à diminuição da produção e à depreciação da qualidade. O problema indica alguma desordem dentro do sistema de cultivo, seja na disponibilidade hídrica, na fertilidade do solo, na nutrição ou no impedimento físico do sistema radicular.

Como identificar? 

As folhas acometidas pela doença apresentam manchas circulares de coloração marrom, com o centro branco-acinzentado, e quase sempre são envolvidas por um halo amarelado. Os frutos também têm manchas marrons e a casca fortemente grudada no pergaminho do café.

Ciclo da doença 

De acordo com o Departamento de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé, a disseminação do fungo se dá, principalmente, pelo vento e pela água, penetrando através da cutícula ou por aberturas naturais. Estando favoráveis às condições de molhamento foliar e de temperatura – em torno de 24ºC – ocorre a germinação e a penetração no tubo germinativo. Após a infecção, produz conídios e o ciclo se reinicia, podendo variar entre 20 e 30 dias. Vale ressaltar que em condição de colonização do fruto, a exteriorização dos sintomas pode levar até 60 dias.

Quais os impactos para as lavouras cafeeiras? 

• Aumento na produção de etileno, hormônio do envelhecimento; 

• Queda prematura dos frutos; 

• Desfolha acentuada; 

• Maturação acelerada; 

• Redução do peso dos grãos, diminuindo a produtividade; 

• Dificuldade operacional do descascador, assim como menor volume de cereja descascado; 

• Alteração nos compostos do grão, reduzindo seu potencial de qualidade; 

• Impacto nas safras futuras.

É possível evitar esta doença? 

Para proteger os cafeeiros dessa enfermidade é necessário um bom preparo do solo, fornecendo os nutrientes necessários de forma equilibrada. É preciso que o produtor se atente principalmente à deficiência de boro e ao equilíbrio entre potássio e cálcio. 

Projetar o plantio em nível, e com alinhamento, para que reduza a incidência do sol sobre os pés de café e manter a linha da cultura sempre com cobertura evitam a exposição do solo às altas temperaturas e reduzem a evaporação, mantendo um controle hídrico. 

Segundo o Departamento, a cercosporiose é extremamente agressiva quando há falta de água no solo. Além disso, é essencial eliminar as plantas daninhas, visto que estas absorvem a água e os nutrientes do solo, enfraquecendo a lavoura. Para alcançar o sucesso no controle e na prevenção da cercosporiose, é preciso aumentar a capacidade de resistência da planta, mantendo práticas adequadas.

Quais os pontos de atenção?  

Algumas doenças cafeeiras apresentam os mesmos sinais. Por isso, o cafeicultor precisa estar atento aos indícios para que não haja confusão na hora de tratar o problema. Confira quais são:

ÁCARO DA LEPROSE – Os sintomas são bastante parecidos, sendo lesões pequenas e em grande número. Não liga polo a polo do fruto. Com auxílio de uma lupa é possível identificar as raspagens do ácaro. A lesão ocorre em qualquer local do fruto. Nos frutos amarelos surge um halo vermelho e nos frutos vermelhos surge um halo amarelo. 

RASPAGEM DE ÁCAROS EM GERAL – São lesões pequenas e em grande número, não ligando polo a polo do fruto, com escurecimento da região atacada pelo ácaro.

ESCALDADURA – Muito comum em regiões de alta incidência solar. Lavouras com deficiência de magnésio. Difícil identificação em estágio inicial. É uma das principais portas de entrada do fungo da cercosporiose.