Entenda como funciona o mercado de preços do café
Previsão do Tempo
close
Previsão do Tempo
Entenda como funciona o mercado de preços do café

Entenda como funciona o mercado de preços do café

O superintendente comercial da Cooxupé, Lúcio de Araújo Dias, explica fatores que impactam nos preços do grão

3 minutos de leitura

Os valores do café subiram ao longo de 2021 e uma série de fatores impactou o mercado de preços.

O café moído, por exemplo, disparou 38% no ano. Segundo o Cepea, os valores das variedades arábica e robusta atingiram recordes nominais das séries históricas.

Fatores que incluem desde o clima, passando pelo dólar, logística, bienalidade de produção, até o comportamento do produtor, influenciaram esse resultado.

Por isso, o Hub do Café conversou com o superintendente comercial da Cooxupé, Lúcio de Araújo Dias, para entender esses aspectos.

Mercado de preços do café

Segundo Lúcio, existem dois posicionamentos principais no mercado.

Assim, os preços do café sofrem uma influência muito forte no curto prazo, por um mercado muito técnico. E, também, existe a influência da oferta e da procura, a médio e longo prazo.

Além disso, para o mercado do café, o superintendente destaca outros fatores que interferem no preço:

– Primeiro: a cotação do câmbio, que afeta fortemente o nosso café;

– Segundo: as cotações de Nova Iorque;

– Terceiro: os diferenciais de preço de café do Brasil para o mercado internacional, que são muito relacionados à oferta e demanda do café no médio e longo prazo.

Na atualidade, o que está acontecendo muito seriamente é a resistência dos cafeicultores, o comportamento que assumiram ao longo desses últimos anos.

De 2014 para cá, os produtores do Brasil têm administrado as vendas de café de uma forma completamente diferente do que foi no passado. Ele entra no mercado quando o mercado está bom, comprador, e realiza negócios. Por outro lado, quando o mercado enfraquece, eles, de uma forma geral, estão resistentes e não vendem café.

“Então, quem hoje está no comando são os produtores. De uma forma extremamente competente, transformam o modo de vender o café, seguindo o passo de outros produtos do agronegócio e principalmente, cuidando do seu caixa, escolhendo o momento mais conveniente para vender seu café”, explica Lúcio.

Dólar

Lúcio Dias também explica que, quando há alta do dólar, a relação para o produtor pode ficar desvantajosa. Pois, com a desvalorização do Real, sobe muito o preço de insumos.

Com a queda da produtividade e o aumento do custo de produção, a rentabilidade é baixa.

“Tudo subiu bastante, todos os insumos, energia, assim como os custos. Então, apesar dos preços estarem bons, não significa que o produtor terá rentabilidade”, continua. A produtividade em 2022 será baixa para a maioria dos produtores.

Clima

Outro fator determinante é o climático, que influencia diretamente na produtividade. Quando é desfavorável – como foi em 2021 que teve uma seca, seguida de duas geadas e, novamente, seca – pesa ainda mais.

“Além disso, tivemos altíssimas temperaturas logo depois da florada. Assim como pragas e doenças”.

Então, existe uma série de fatores na produção, além do climático, que afeta muito a produtividade, consequentemente o mercado.

Cenário para 2022

Na avaliação do superintendente, existem alguns fatores que podem interferir nos preços do café em 2022.

“Temos alguns problemas para o mercado avaliar, como os embarques brasileiros que estão bastante represados. As exportações de café do Brasil eram para fluir melhor, mas os problemas logísticos mundiais estão impedindo que isso ocorra normalmente”, diz.

Ainda segundo Lúcio, existe, atualmente, uma inversão de mercado: os preços presentes estão mais altos que os preços futuros.

“Quando isso acontece, uns investidores que compraram café como um ativo financeiro para fazer operação na bolsa  competirão com os produtores que têm estoque físico. Essa operação, hoje, gera prejuízo. Então, o que que esse investidor vai fazer? Ele vai entregar o café dele para o mercado. Então, em vez dele ficar carregando esse café nas bolsas ele vai entregar esse café para o torrador. Assim, esse estoque que está no exterior e mais o estoque que está no Brasil, na minha avaliação, darão uma acalmada no mercado.”

Lúcio diz que a orientação para os produtores é manter essa política de vender e ir participando do mercado, se manter com seu caixa pronto.