Exportação de café do Brasil caiu 25% em agosto, para 2,7 mi de sacas
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Exportação de café do Brasil cai 25% em agosto, para 2,7 mi de sacas

Exportação de café do Brasil cai 25% em agosto, para 2,7 mi de sacas

No acumulado do ano, país deixa de embarcar 3,5 milhões de sacas devido aos problemas logísticos no transporte marítimo global, diz Cecafé

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De acordo com relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a exportação de café do Brasil caiu 25% em agosto. Isto em comparação com o mesmo mês de 2020.

Os embarques totais de café somaram 2.674.116 sacas de 60 kg em agosto de 2021, ante as 3.573.958 sacas em idêntico período de 2020.

Assim, em receita cambial, as remessas recuaram 1,6% no mês passado, saindo de US$ 427,5 milhões para US$ 420,5 milhões, diz o Cecafé.

Exportação de café do Brasil

Nos dois primeiros meses da safra 2021/22, exportação de café do Brasil somou 5,541 milhões de sacas, volume 18,7% menor ao registrado em julho e agosto do ciclo anterior.

Já a receita subiu 2,8% no intervalo, chegando a US$ 831,7 milhões.

Bem como o acumulado do ano, com as remessas brasileiras de café caindo 1,8% ante 2020, ou seja, para 26,303 milhões de sacas. Porém, avançando 5,8% em valor, ao renderem US$ 3,618 bilhões nos oito primeiros meses de 2021.

A reviravolta no desempenho da exportação de café do Brasil, que era positiva até o acumulado de julho, é resultado dos problemas no transporte marítimo. Essa é uma questão estrutural que extrapola as fronteiras do Brasil e do produto, segundo o presidente do Cecafé, Nicolas Rueda.

“Essa grave crise operacional gerou disparada no valor dos fretes, constantes cancelamentos de bookingsespaço dos contentores nos navios –, dificuldade para novos agendamentos e disputa por contêineres e lugares nos navios”, diz.

Problemas

Segundo apuração realizada pelo Conselho com os exportadores, os entraves fizeram com que o Brasil deixasse de exportar cerca de 3,5 milhões de sacas entre maio e agosto de 2021. Assim, considerando os preços médios dos embarques, equivale ao não ingresso de US$ 500 milhões em receitas ao país.

“O levantamento também mostrou que a média das rolagens de carga variou entre 10% e 20% de janeiro a abril de 2021, saltou para entre 20% e 30% em abril e maio, chegando aos patamares médios de rolagens de 40% a 50% nos últimos três meses, o que explica o significativo volume de café que o Brasil deixou de embarcar. O desempenho não foi pior em função do esforço titânico dos setores comercial e logístico dos exportadores, que ainda possibilita um fluxo considerável de café para fora do país”, diz o presidente do Cecafé.

De acordo com Rueda, com o avanço da vacinação e a reabertura das principais economias globais, como EUA e Europa, houve aumento por alimentos. Bom como o de bens e serviços, gerando intensa demanda de navios, oriundos principalmente da China e de outros países da Ásia, para essas regiões.

“Isso gerou desbalanço global na oferta e demanda de navios e contêineres, havendo fila de embarcações e muitos equipamentos, como os contentores, aguardando sua vez. Ou seja, há maior demanda e a infraestrutura não é reativa de imediato, assim os portos se encontram com a capacidade estrangulada”, explica.

Pandemia

Ele recorda que a pandemia ainda impõe desafios logísticos, principalmente com as novas mutações do vírus da Covid-19, como recentemente visto com o fechamento do porto chinês de Ningbo-Zhoushan, o terceiro maior do mundo na movimentação de contêineres, que causou o atraso de 350 embarcações.

Isto porque, além dos entraves logísticos, o presidente do Cecafé lembra que foi no terceiro trimestre que o fluxo do comércio exportador começou a fazer a transição da grande safra 2020/21 para a 2021/22.

A atual safra é menor em função do ciclo bienal negativo e dos impactos da estiagem, cujo volume colhido contrasta de maneira significativa com a temporada anterior, que será lembrada como uma das maiores da história.

Principais Destinos

De janeiro a agosto de 2021, os EUA foram os principais parceiros comerciais do café brasileiro.

Os norte-americanos adquiriram 4,994 milhões de sacas, o que implicou crescimento de 1,1% na comparação com o mesmo intervalo no ano passado. Esse volume representou 19% das exportações totais do Brasil até o momento.

A Alemanha, com representatividade de 17,4%, importou 4,589 milhões de sacas (+1,5%) e ocupou o segundo lugar no ranking. Na sequência, vieram Bélgica, com a compra de 1,841 milhão de sacas (-6,3%); Itália, com 1,829 milhão (-10,9%); e Japão, com a aquisição de 1,562 milhão de sacas (+14,1%).

Também merece destaque a aparição da Colômbia como sétimo país que mais importou cafés do Brasil entre janeiro e agosto de 2021.

O país vizinho, que é o terceiro maior produtor global da commodity, adquiriu 744.833 sacas no intervalo. Além de registrar alta de 79,7% na comparação com as compras do produto nacional realizadas nos oito primeiros meses de 2020.

Assim, é válido destacar que, desse total, 700 mil sacas são do produto in natura, que é utilizado para consumo interno ou industrialização do café colombiano a ser comercializado.

Tipos de Café

Com o embarque de 21,360 milhões de sacas de janeiro a agosto de 2021, a variedade arábica respondeu por 81,2% do total remetido ao exterior.

Por outro lado, as exportações de solúvel totalizaram 2,478 milhões de sacas no período, ou seja, 9,4%. Seguidas pelas de café canéfora (robusta e conilon), com 2,440 milhões de sacas (9,3%), e do produto torrado e moído, com 25.955 sacas (0,1%).

Cafés Especiais

Assim, com 4,398 milhões de sacas remetidas ao exterior, os cafés especiais – com qualidade superior ou que possuem algum tipo de certificado de práticas sustentáveis – responderam por 16,7% das exportações brasileiras do produto entre janeiro e agosto de 2021.

Portanto, esse volume representa um leve declínio de 0,8% na comparação com as 4,434 milhões de sacas embarcadas pelo país no mesmo período de 2020.

O preço médio desse produto foi de US$ 178,83 por saca. Assim, gerou uma receita de US$ 786,4 milhões nos oito meses, o que corresponde a 21,7% do total obtido com os embarques. No comparativo anual, o valor é 9,1% superior ao aferido em idêntico intervalo antecedente.

Portos

Por fim, o complexo marítimo de Santos (SP) permaneceu como o principal exportador dos cafés do Brasil em 2021, com 20,421 milhões de sacas partindo do litoral paulista, o que equivaleu a 77,6% do total.

Na sequência, vieram os portos do Rio de Janeiro, que responderam por 15,5% do total ao remeterem 4,072 milhões de sacas até agosto, e Vitória (ES), com o embarque de 759 mil sacas, respondendo por 2,9%.