Falta de contêineres causa exportações “à moda antiga” no agro
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Falta de contêineres causa exportações “à moda antiga” no agro

Falta de contêineres causa exportações “à moda antiga” no agro

Reportagem especial da Revista Globo Rural mostra que alguns produtos são embarcados como no passado, direto nos porões dos navios

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Uma reportagem especial da Revista Globo Rural, mostra que a crise de falta de contêineres em todo o mundo tem como consequência a volta das exportações “à moda antiga” no agro.

Isto porque, para permitir os embarques de alguns produtos agrícolas no Porto de Paranaguá, produtos são enviados direto no porão dos navios, na modalidade conhecida como break bulk (carga solta), acondicionadas em sacarias ou big bag.

A maior cooperativa de café do Brasil, a Cooxupé, também está adotando esse modelo em seus embarques.

Exportações “à moda antiga” no agro

Ainda segundo a reportagem, cargas de gergelim, madeira, fubá e feijão já vivem essa volta ao passado.

Patrick Ferreira Tavares, diretor comercial da Marcon Logística Portuária, que atua em Paranaguá desde 1964, diz que a volta do break bulk – modalidade que opera em navios de 15 mil a 30 mil toneladas e que foi substituída pelos embarques em contêineres há cerca de 15 anos – foi a alternativa escolhida pelos clientes para manter o envio de produtos ao exterior.

O diretor explica que esse tipo de operação exige menos documentos e burocracia do que o transporte por contêineres. Também é mais barata, mas envolve mais riscos e demanda uma carga maior para preencher o porão do navio.

Assim, a carga solta exige ainda que o importador busque a mercadoria no porto, enquanto o contêiner é entregue diretamente, no sistema porta a porta.

“Para você ter uma ideia, uma carga de 20 mil toneladas entregue no porto vai precisar de muita logística do importador. Com cerca de mil viagens de caminhão para chegar ao destino”, disse à Globo Rural.

Questionado se espera uma solução próxima para a crise dos contêineres, Tavares diz que, em conversa com armadores, ouviu uma previsão de 18 meses a 4 anos para a normalização dos embarques.

Café em avião

Ainda segundo a reportagem, o embarque como carga geral em navios não é a única alternativa adotada pelo agro diante da falta de contêineres e de navios.

Em 4 de novembro, a empresária e produtora rural Flávia Lancha, vice-presidente do grupo Labareda, de Franca (SP), exportou 9 toneladas de café especial em grãos do tipo arábica.

O produto estava embalado em 300 sacas de 30 quilos. Assim, foi por avião para a empresa à Cals Coffee, da Inglaterra, que comercializa o café brasileiro também na Espanha e em Portugal.

Dessa forma, o embarque em Guarulhos custou US$ 11 mil. Ou seja, mais de cinco vezes o valor de envio da carga por navio, estimado em US$ 2 mil.

Flávia conta que decidiu fazer a exportação aérea depois que o cliente inglês lhe pediu que levantasse alternativas. Ele precisava receber o café com urgência e se dispôs a dividir a conta do frete.

“Sempre exportamos de navio pelo porto de Santos, mas agora, quando tem navio não tem contêiner”, diz a empresária.

Segundo ela, o custo do transporte aéreo é bem maior que o embarque marítimo. Mas café parado também custa caro porque demanda estrutura de armazenamento e a empresa deixa de receber pelo produto. Além da Inglaterra, importam o café da Labareda empresas da Alemanha, Austrália e Estados Unidos.

Gabriel Lancha Oliveira, diretor comercial da Labareda e filho de Flávia, diz que o embarque por avião também está com preços maiores. Um contêiner que custava US$ 12 mil há um mês, subiu para US$ 13 mil.

Remessas pontuais

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafe), as remessas recentes de café por via aérea são pontuais e ocorreram por necessidade do cliente. Esse tipo de embarque não passa de 0,1% do total das exportações. E, geralmente, são cargas de produtos industrializados, como café torrado, torrado e moído e solúvel.

“A substituição do modal marítimo pelo aéreo para o embarque de cafés é inviável. Pois o custo é extremamente caro e torna a operação pouco comum”, diz a entidade, em nota.