Os benefícios do calcário para a produção de café - hubdocafe.com.br
Previsão do Tempo
close
Previsão do Tempo
Os benefícios do calcário para a produção de café

Os benefícios do calcário para a produção de café

A aplicação na cafeicultura fornece cálcio e magnésio, diminui a acidez do solo, aumenta a eficiência dos fertilizantes, a disponibilidade de nutrientes para as plantas e crescimento das raízes

3 minutos de leitura

O fornecimento de calcário, ou calagem, é um dos manejos mais importantes para a cafeicultura moderna, já que fornece cálcio e magnésio, diminui a acidez do solo, aumenta a eficiência dos fertilizantes, a disponibilidade de nutrientes para as plantas e crescimento das raízes.

De acordo com a equipe do departamento de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé, em Caconde (SP), embora seja um manejo conhecido, muitos produtores ainda têm dúvidas e focam somente nas adubações com fertilizantes à base N, P e K, esquecendo que cálcio e magnésio são altamente absorvidos pelo cafeeiro. Essa prática gera grandes áreas acidificadas, já permanecem muitos anos sem as devidas correções.

Outro fator que limita produção dos cafezais é a presença de alumínio no solo, muito reativo em solos ácidos, sendo tóxico para a planta. O alumínio se concentra nas raízes fazendo com que haja um engrossamento delas, diminuindo as raízes laterais, o que dificulta a absorção dos nutrientes.

Em relação às doenças do cafeeiro, o calcário ajuda na prevenção e manejo da ferrugem, cercóspora e phoma, já que o cálcio e magnésio compõem a parede celular das folhas e auxilia na prevenção de possíveis escaldaduras, principalmente, nas faces que recebem luz solar o dia todo. Assim, dificulta a ação de fungos na planta.

Como corrigir solos?

Para corrigir é necessário que o produtor faça análises de solo todo ano. O processo envolve a coleta de amostras separadas por talhões de até 10 hectares, observando sempre os tipos de solo, o relevo e, até mesmo, o manejo da lavoura. Cada amostra deve ser coletada na projeção do barrado do cafeeiro, na profundidade de 0 a 20 centímetros, sendo necessárias entre 12 e 20 amostras de cada talhão.

Com base nos resultados da análise de solo é importante o acompanhamento de um técnico ou engenheiro agrônomo para a realização da correção.

Nem todo calcário é igual

No mercado é possível encontrar diversos tipos de calcário, com variação de preços e origem. Por isso, é importante utilizar o calcário recomendado e adquirido por uma empresa idônea que forneça o laudo do produto.

No solo, a relação ideal é sempre de três partes de cálcio para uma parte de magnésio. Deve-se ficar atento ao percentual de magnésio do calcário. Na cafeicultura é necessário calcário com maiores teores de magnésio devido à extração da planta. Se o produtor utilizar um calcário com pouco magnésio, que normalmente é mais barato, vai resolver o problema da acidez, porém, vai criar o problema do desequilíbrio entre cálcio e magnésio.

Outro dado importante que deve ser observado é o PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) do calcário, já que quanto maior for o PRNT maior será sua capacidade de neutralizar ácidos no solo. O Calcário que tem maior PRNT é o calcário mais fino, que reage mais rápido no solo. No entanto, por ser muito fino, parte pode ser perdida na hora da aplicação, devido ao vento (Deriva). Para evitar esta perda, o produtor pode acrescentar água ou gesso no calcário.

Calcário Calcítico A e B: indicado quando se tem uma elevada deficiência de cálcio, sendo muito utilizado em abertura de novas áreas de plantio. Sua relação média de cálcio e magnésio é de 30:1, portanto, não é frequentemente utilizado em cafezais pelo baixo teor de magnésio.

Calcário Dolomítico A: É o calcário com maior teor de cálcio, sua relação de cálcio/magnésio é em torno de 7:1, contém 45% a 48% de óxido de cálcio, 6% a 10% de óxido de magnésio, PRNT entre 85% e 90%. Mais utilizados onde há maior deficiência de cálcio.

Tipos de Calcário

Calcário Dolomítico B: Calcário mais indicado quando a relação tem equilibro entre cálcio e magnésio (3Ca :1Mg), contém 35% a 38% de Óxido de cálcio, 12% a 15% de Óxido de magnésio, PRNT entre 85% a 90%.

Calcário Dolomítico C: Esse por sua vez, tem o teor de magnésio maior, sendo a relação 2:1 e pode conter 33% a 36% de Óxido de cálcio, 16% a 20% de Óxido de magnésio. PRNT ideal entre 85% a 90%.