Plantio simultâneo de café e macadâmia melhora a produtividade
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Plantio simultâneo de café e macadâmia melhora a produtividade

Plantio simultâneo de café e macadâmia melhora a produtividade

Estudos mostram que cultivo consorciado de café e macadâmia tem maior rendimento industrial

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De acordo com matéria especial divulgada pela Rural Pecuária, com informações da SF Agro, a produtividade do café melhora com o plantio simultâneo junto à macadâmia (HAES 816), desenvolvida no Hawaii (EUA). O pesquisador Marcos José Perdoná, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), explica que esta espécie foi identificada como a mais apropriada para o cultivo consorciado. Isso porque tem menor crescimento horizontal, por precisar de pouca poda e suas amêndoas têm maior rendimento industrial.

Assim, a pesquisa avaliou seis cultivares de macadâmia. Sendo três delas desenvolvidas no Brasil, pelo Instituto Agronômico (IAC), e outras três pelo Hawaii Agricultural Experiment Station (HAES). “Os materiais do IAC são mais produtivos que os havaianos no cultivo solteiro. Porém, no consórcio exigem muitas podas e a produtividade diminui”, avalia o pesquisador Perdoná.

Número de podas

Outra questão que estudada é a diminuição do número de podas da árvore de macadâmia. Isso porque altera o custo de produção e dependendo do caso pode deixar o cultivo neste sistema inviável. Marcos José Perdoná informa que as outras cultivares precisam de mais podas. Ou seja, para não fazer tanta sombra no cafezal e atrapalhar a produção e a mecanização das operações.

Produtividade

Ademais, o plantio consorciado de macadâmia HAES 816, desenvolvida no Hawaii, com café melhoram a produtividade das culturas. O estudo desenvolvido pela Apta, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, mostra que em condições irrigadas, o salto da produtividade do café foi de 60% e o de macadâmia de 251%, em relação aos cultivos solteiros não irrigados. A edição de novembro de 2016 da revista americana Agronomy Journal publicou os resultados do estudo. Um dos principais periódicos científicos sobre agricultura do mundo.

“Esta já é uma cultivar utilizada no Brasil, mas no consórcio, o material se mostrou muito mais promissor. Geralmente, a noz é formada por 75% de casca e 25% de amêndoa. Esta cultivar tem de 35% a 40% de peso de amêndoa. O que é muito interessante para a indústria”, disse o pesquisador da Apta, Marcos José Perdoná.

Trabalho inovador

O trabalho desenvolvido pela Apta é inovador. Assim, vem sendo usado em diversas regiões do país, especialmente, nas maiores produtoras de café, como o Sul de Minas Gerais, Franca e Garça, no estado de São Paulo. “A macadâmia é fácil de ser conduzida, diferentemente do café, que é uma cultura mais complexa. Sempre orientamos que o sistema seja usado por produtores que já plantam café. A chance de sucesso é maior desta forma”, disse Perdoná. Este sistema é experimentado por cafeicultores que buscam uma diversificação de culturas, com o objetivo de aumentar a renda.

Ainda de acordo com o pesquisador da Apta, a rentabilidade insatisfatória do café foi ocasionada por produtividade insuficiente. O que causou insustentabilidade em boa parte da cafeicultura paulista. “O estudo avaliou o crescimento e produtividade do café arábica em monocultivo e consorciado com macadâmia, com e sem irrigação. Assim como avaliou a rentabilidade e o período de retorno desses cultivos para as condições paulistas. A pesquisa fornece importantes informações que podem colaborar na viabilidade da cafeicultura no Estado”, disse o Marcos José Perdoná.

Dessa forma, a justificativa para o ganho na produtividade do café está na arborização das plantas. Proporcionado pelas árvores de macadâmia, que protegem do calor e vento excessivos, que provocam perda de flores e ferimentos nas folhas. “O cafezal sofre muito com a ação dos ventos. O uso da macadâmia pode diminuir em 72% a velocidade dos ventos e em 2,2ºC a temperatura média do ar. Além disso, o uso da irrigação é decisivo na produtividade das lavouras de café no Estado”, disse Perdoná.

Ciclagem de nutrientes

O outro fundamento é o aumento da ciclagem de nutrientes na produção do grão de café, pois as raízes da macadâmia são mais profundas que as do cafeeiro e por isso conseguem recuperar nutrientes que foram perdidos ao longo das produções. Entretanto, o pesquisador da Apta alerta que o ambiente mais úmido também pode causar alguns problemas na produção, como o aumento da ferrugem e broca do café.

Dentre as vantagens fornecidas pelo consórcio para a nogueira da macadâmia, é que a árvore desfruta das condições de fertilidade e sombreamento do solo, para um maior desenvolvimento radicular e consegue atingir maior crescimento e antecipação da produção. Já para o cafeeiro, o ecossistema melhora com a queda e decomposição das folhas, pois há o aumento da matéria orgânica e de nutrientes disponíveis.

Resultados promissores

Perdoná adianta que, “os resultados iniciais são muito promissores”, quando fala sobre o novo projeto interinstitucional, junto com Rogério Soratto, da Unesp, no qual trabalham para avaliar a viabilidade da colheita totalmente mecânica no sistema. O estudo começou em 2015, e é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) envolvendo Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp).

Os resultados destes anos de pesquisas revelam que a produtividade da amêndoa, nos sistemas de consórcio macadâmia-café foram de 51% no sequeiro, 176% na macadâmia solteira irrigada e 251% no consórcio macadâmia-café irrigado.

Quando consorciada com o café irrigado, a cultura da nogueira da macadâmia tem sua produção adiantada em dois anos e aos três anos já tem produção comercial. “O uso de tecnologias, como o cultivo consorciado e a irrigação, são as melhores alternativas para solução deste problema”, afirma o pesquisador. Porém, a principal dificuldade enfrentada para a expansão da amêndoa no Brasil é o elevado período de retorno do investimento – a noz começa a produzir depois de cinco anos e apenas quando atinge 12 anos tem produção rentável, de 15 quilos de noz por planta.