Preservar margens é o grande desafio de 2022
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Preservar margens é o grande desafio de 2022

Preservar margens é o grande desafio de 2022

Avaliação é do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, enfatizando os efeitos do clima “trágico” que afetou o agro brasileiro em 2021 e os custos com insumos

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Após um ano “trágico” para a agricultura brasileira, quando culturas como café, cana, laranja e milho tiveram grandes quebras de safra, a tendência, de acordo com o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, é que 2022 seja um ano melhor nessa frente para os produtores rurais. É preciso, assim, preservar margens.

Entretanto, os agricultores tendem a ver suas margens se estreitarem em decorrência da alta de custos, principalmente, com os insumos.

Preservar margens

A avaliação foi feita durante a Live do Valor, realizada pelo jornal Valor Econômico em dezembro em parceria com a Revista Globo Rural. A matéria foi publicada pelo BeefPoint.

“O agronegócio em 2021 teve um ano muito difícil. Diria que houve dois momentos dramáticos: um por causa do clima e outro econômico”, disse Rodrigues. Ele é coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Assim, em 2021 o Brasil viveu a pior seca em mais de 90 anos, o que “castigou” severamente a produção do Centro-Sul brasileiro.

Commodities agrícolas

Do ponto de vista econômico, Roberto Rodrigues também destacou a forte escalada de preço das commodities agrícolas. As cotações internacionais chegaram a picos de mais de 50% de valorização durante o ano. Isso ajudou o produtor a fechar bons negócios e, assim, a garantir margens acima do normal. Situação, por exemplo, que não deverá se repetir com a mesma intensidade em 2022.

“Os custos explodiram, mas deveremos ter recordes. O ano de 2022 tende a ser positivo, mas com margens menores. Uma safra recorde no Brasil poderá ajudar a pressionar os preços das commodities agrícolas. Mas quem se antecipou e já travou posições [de venda] vai acabar faturando bem. Será uma margem menor, mas sem dificuldades”, reforçou Rodrigues.

Do ponto de vista de custos, a preocupação maior deverá ser com a segunda safra de 2021/22 e com o ciclo 2022/23. Isto porque ainda há muitas incertezas, especialmente quanto ao fornecimento e aos custos dos insumos agrícolas.

As sanções econômicas contra Belarus, uma das principais fornecedoras de potássio do mundo, e a crise energética na China, que também afeta a oferta de fertilizantes e defensivos, podem ser entraves no decorrer do ano.

“Havia uma preocupação dos fertilizantes não chegarem a tempo hábil ou a um custo adequado. Para o ano que vem, acredito que os problemas não deverão ser tão graves. Há também uma expectativa de reduzir a adubação, o que seria razoável para áreas mais consolidadas. Para os defensivos, a situação deverá ser um pouco pior”, projetou o ex-ministro.

Auxílio Brasil e imagem no exterior

Em meio às incertezas, Rodrigues destacou que o Auxílio Brasil, com pagamentos de R$ 400 por mês em 2022, poderá dar um impulso ao consumo de alimentos no mercado doméstico. Assim como ocorreu com o auxílio emergencial concedido após o início da pandemia.

Outro alerta feito pelo ex-ministro é sobre a comunicação do setor em relação aos problemas enfrentados pelo Brasil na área ambiental. Ele acredita que a pressão internacional será ainda maior em 2022.

Cabe aos produtores brasileiros reforçaram sua contrariedade em relação a crimes ambientais cometidos por uma minoria que mancha a imagem do setor.

A Live do Valor também está disponível no canal do Youtube.