Profissão barista: a arte de preparar, servir e extrair o melhor do café
Previsão do Tempo
close
Previsão do Tempo
Profissão barista: a arte de preparar, servir e extrair o melhor do café

Profissão barista: a arte de preparar, servir e extrair o melhor do café

Mercado para a profissão de barista segue em expansão com o crescimento do consumo de cafés especiais e gourmets

4 minutos de leitura

Muito mais que “tirar” da máquina e servir o cafezinho, o barista da atualidade faz do preparo do café uma verdadeira arte, cada vez mais apreciada pela crescente comunidade de coffee lovers. Assim como o sommelier de vinhos, o barista é um especialista em café, nas suas mais variadas versões e características. Barista é o nome dado ao profissional que tem a expertise necessária para extrair o melhor do café, bem como preparar diferentes tipos de bebidas e drinks tendo como base o café.

Portanto, engana-se quem pensa que a atividade está ligada a uma informalidade que dispensa conhecimento técnico. Muito pelo contrário! Não há graduação, ensino superior com o curso de barista, contudo a profissão de barista é reconhecida no Brasil pelo Ministério do Trabalho e é preciso muito estudo, conhecimento técnico e certificação do conhecimento adquirido.

Segmento em alta

De um trabalho inicialmente improvisado com a indicação de um amigo e com o objetivo de ganhar um extra, o professor e coordenador do Centro de Preparação de Café do Museu do Café de Santos, Hallyson Mermude, há 15 anos nesta área, é exemplo real de como o segmento se expandiu, profissionalizou ao longo dos anos e é amplo em área de atuação, à medida que requer cada vez mais profissionais ávidos por conhecimento técnico e atualização.

“Minha história com café começou em 2007, depois de aceitar o convite de um amigo que sabia que eu estava desempregado e me convidou para um serviço extra na cafeteria que fica dentro do Museu do Café em Santos. Logo no início me encantei com o local e espaço, mas eu focava ainda muito no atendimento. Com o tempo, comecei a ter um olhar mais amplo sobre toda a história do café. Além disso, pude conhecer a procedência de muitos, entender mais sobre essa cultura e despertar que havia muito mais do que eu imaginava, um universo novo a ser conhecido”, conta o coordenador.

De acordo com Mermude o museu já oferecia cursos para a formação de baristas e que ter essa opção ao alcance facilitou seu aprofundamento na área.

“Dia a dia aumentava a minha vontade de saber mais, orientar mais e aprender. Por isso, fui buscar nos cursos um conhecimento mais técnico e especializado. Além de aplicar esses conhecimentos nos atendimentos, pude começar a auxiliar nas aulas e a investir cada vez mais em novos cursos e especializações”, diz.

Grande paixão

Com o tempo, o foco em atendimento e venda se transformou em um trabalho de consultoria, treinamentos a diferentes empresas e marcas. Assim, desde 2013 retornou ao museu e assumiu como coordenador e barista do Centro de Operação do Café, atuando também como professor.  Também lançou uma marca de café, uma microtorrefação própria, agregando ainda mais conhecimento e valor ao serviço prestado.

“A minha grande paixão é multiplicar conhecimento, compartilhar e possibilitar a todos uma vivência completa sobre o café, independente dos diferentes interesses das pessoas que procuram os cursos, seja para uma experiência pessoal mais diferente ou com fins profissionais.  E ensinar possibilita de forma incrível essa interação e a alcançar esse objetivo”, completa.

O coordenador ressalta que o mercado de barista acompanha o crescimento do consumo de café, as novidades e tendências e que se trata de um segmento muito promissor, sendo o Brasil o principal produtor e exportador do mundo. Mas que para ter diferencial e sobressair como um barista bem conceituado é preciso dedicação e estudo.

“Quando se pensa no café como um todo, em sua cadeia, desde o manejo, procedência, história e experiências, é fácil perceber que não é simples. É complexo. Se houver dedicação e comprometimento, o destaque acontece, assim como o diferencial. É preciso ter conhecimento da matéria-prima, torrefação, moagem e plantio e colheita”, completa.

Mercado

Para Éder Ferreira Delfino, barista parceiro da Cooxupé, o segmento mudou muito e está bem mais amplo que há quinze anos. A profissão surgiu na década de 1990 e desde então ocorre um processo de crescimento, juntamente com o aumento do consumo dos cafés especiais, gourmets e com o consumo fora de casa.

“Hoje em dia, com a aproximação do barista com a tecnologia, com o produtor, há uma cadeia bem mais ampla para atuação e ampliação do conhecimento. Hoje o barista torra café, prova café, faz arte, atua na operação de máquina – domina a técnica de extração perfeita de um café, de vaporização de leite -, ou seja, faz de um tudo. Tem que ser um apaixonado por café”, define.

Além disso, Éder também reforça que o perfil do consumidor de café também mudou. Há um interesse maior sobre a bebida. “Eles estão mais curiosos e exigentes. Querem saber se o café é especial, qual a região, qual altitude e características da bebida. Ele busca esse contexto também, além da experiência gustativa”, completa. “O que se mais vê são pessoas buscando conhecimento para fazer uma boa extração de café em casa”, afirma.

Mercado para o barista

De acordo com Éder, a profissão está em alta, e oferece diferentes oportunidades de atuação, como nos procedimentos de torra de café, nas provas, em cafeterias, eventos corporativos e com consultorias.

“O mercado está favorável, em alta. E é uma profissão que é ainda mais valorizada no exterior. Hoje, vejo muita procura de brasileiros que vão fazer intercâmbio e realizam o curso de barista, porque a valorização é boa e conseguem uma oportunidade de emprego lá fora”, diz.

Ele ressalta também que muitas pessoas atentas à valorização da profissão deixou o hobby de lado para transformar a paixão pelo café em profissão.  “Eu me encontrei como barista. É muito gratificante, pois um simples café acaba virando uma grande amizade. Quando faço uma latte arte vejo a alegria do cliente que a recebe. O café aproxima pessoas. E isso é apaixonante!”, afirma.

Requisitos e cursos

Para os interessados em iniciar como baristas há inúmeros cursos para quem quer entrar na área e se aprimorar. São cursos promovidos por grandes cafeterias, escolas e instituições que garantem certificação e uma valorização no mercado de trabalho.

Os cursos são ministrados por meio de módulos. Estes vão desde os básicos (como tirar um bom café), para iniciantes, até os mais especializados, como vaporização de leite; torra; prova; métodos de extração de café; latte arte, entre outros.

Em linhas gerais, no curso de barista são abordados como tópicos: apresentação de técnicas específicas de preparo do café; formas de como utilizar utensílios e máquinas profissionais; como identificar quais os grãos mais adequados para cada tipo de bebida; conhecimento da máquina de café espresso, entre outros aspectos.