Veja cinco razões para o aumento no consumo de café no Brasil
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Veja cinco razões para o aumento no consumo de café no Brasil

Além da pandemia, mudança de comportamento e novas linhas fazem o consumo da bebida crescer no país; entenda os motivos

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Mesmo com o cenário atual de alta nos preços e prejuízos causados por fenômenos climáticos intensos, o mercado de café tem apresentado resultados positivos quanto às vendas internas. Em 2020, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a alta foi de 1,34% em relação ao ano anterior. Para entender as razões desse aumento no consumo de café no Brasil, conversamos com o diretor executivo da Abic, Celírio Inácio.

“Ao longo dos anos, a Abic acompanha, através de pesquisas, que o comportamento de consumo e o mercado de café cresceram muito nos últimos anos, com um fluxo constante de lançamentos de produtos, inovações, novas formas de preparo e consumo da bebida”, diz o diretor.

Em média, o brasileiro consome de 3 a 4 xícaras de café por dia, segundo o diretor. Assim, uma família de quatro pessoas consome um quilo de café por mês. Por fim, no ano, o brasileiro consome aproximadamente 1.341 xícaras de café.

Confira abaixo os motivos para essa alta e o potencial que o mercado ainda possuiu.

1. Pandemia

Durante a pandemia, houve crescimento na procura por café. “Isso aconteceu porque as pessoas ficaram mais tempo em casa e, consequentemente, a demanda por cafés nos supermercados aumentou, o que compensou”, explica Inácio.

A pandemia não mudou o hábito, mas pode ter adicionado um novo caminho para chegar à bebida. Os pedidos por aplicativos, lojas on-line e clube de assinatura cresceram. Assim, aqueles que conseguiram entrar no mundo digital, conseguiram se desenvolver.

2. Experiências

Os hábitos mudaram e o consumidor também mudou. Segundo Inácio, ele está mais atento, com acesso rápido à informação, o que o torna mais exigente e aberto à verdadeiras experiências em relação à bebida. “O consumidor sabe que café não é tudo igual e quer compreender os diferentes tipos, as diversas origens e, acima de tudo, quer garantia de qualidade.”

Além de estimular a atividade mental, melhorar a concentração e aliviar a tensão, o café trouxe novas experiências na culinária. Muitos consumidores arriscaram ser baristas em casa, testando novas formas de preparo da bebida.

3. Novos produtos

De acordo com dados da pesquisa Cafés Especiais: Perfil e Sabor, realizada pelo Sebrae, produtos premium ganham cada vez mais espaço na chamada terceira onda dos cafés. O avanço significativo no consumo dos cafés de alta qualidade vem despertando o interesse do mercado.

O levantamento da Abic aponta um crescimento de 46% na certificação dos Gourmets nos últimos 3 anos, o que demonstra que os industriais têm interesse em oferecer novas experiências sensoriais aos consumidores.

“Esse nicho é novo no país, mas o fato de agregar valor ao produto e despertar desejo no consumidor faz com que esse mercado tenha um grande potencial de expansão.

4. Mundo sustentável

Além do sabor, qualidade e experiências que o café proporciona, o mercado está de olho na sustentabilidade. Bem como a segurança alimentar, que é uma tendência extremamente salutar do consumidor do mundo todo, e também no Brasil.

“A Abic está atenta ao tema, sendo pioneira em programas de certificação. Lançou recentemente o aplicativo ABICafé, que além de verificar se o produto é certificado, identifica a categoria de qualidade e mostra o perfil sensorial do produto”, diz Inácio.

Assim, a cada dia, mais e mais consumidores em todo o mundo começam a se preocupar com o consumo de alimentos e produtos cuja produção observe critérios de boas práticas sociais, econômicas e ecológicas. Portanto, esse movimento também atingiu a cadeia do café. Há um avanço na procura pelos certificados.

5. Fator Brasil

Os números coletados pela Abic revelam ainda que, no ano passado, o Brasil se manteve como o segundo maior consumidor de café do mundo.

Dados da última pesquisa, realizada pela Euromonitor, em 2019, destacam o país como maior mercado mundial em volume total de café como bebida quente. Quando analisado o consumo per capita, observa-se que no ano de 2020 a média foi de 4,79 kg por ano de café torrado. O bom desempenho na mesa do consumidor teve impacto direto na indústria, uma vez que as empresas associadas à ABIC registraram um crescimento de 2,19% no período.